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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

MILENA


Vem de algum lugar, Milena, que meu canto te procura
Por todo beco,
Por todo canto
E pelas ruas , Milena, tão silenciosas;
Noites de frio
Que não revelam
A tua imagem.

Surge, Milena, assim de repente como fada;
Nasce de um clarão multicolorido de magia
E então flutua
Bem docemente
Ante meus olhos.
Vem, Milena, chega num relance de entre as nuvens;
Vem, que meus versos têm em ti sua nascente.
Chega antes que meu peito se transforme em  só cansaço,
Antes que meu verso cale, silencie,
E eu me torne folha seca  a vagar sem nenhum rumo.

1996


II

(OUTRO CANTO A MILENA)

Vem, Milena, ver a noite e suas luzes,
Fazer planos de um amor que nunca acabe.
Vem, porque jurar amor é qual cantar,
E, Milena, cantar é tão bonito,
É bonito como o encantamento dos teus olhos,
Quando sonhas debruçada na varanda.

Vem arder entre lençóis, quentes carícias,
Nossos corpos, qual vulcões ensandecidos,
Se espremendo numa fúria delirante
E na dança alucinada dos desejos.

Vem, Milena, ver cantar meus sentimentos,
Vem sentir o aconchego dos meus braços,
Vem fazer do meu abraço tua casa.
Tua casa, o teu canto é meu abraço.

2007


III

(ÚLTIMO POEMA A MILENA)


Adeus, Milena, até nunca, nunca mais...
Nunca mais um verso te farei.
Até nunca mais, Milena, adeus.

Ainda que eu fosse o orador que mais brilhasse,
pelo inteiro mundo  minha voz fosse aclamada,
e as turbas me aplaudissem, fascinadas...

Ainda que eu cantasse a mais linda das cantigas,
e o fizesse de forma tão doce, tão sentida,
que levasse a prantear as multidões...

Ainda que eu aniquilasse os demônios do universo,
e cruzasse fronteiras minha fama de bravura,
e eu fosse aclamado do planeta o grande herói...

Ainda que eu não fosse nada menos que deus vivo
a operar milagres estalando os dedos simplesmente,
e os homens me louvassem em milhões de reverências...

Ainda assim eu teria o desdém desses teus olhos,
a tornar-me nada mais que um mero, simples verme.
A tua voz, sem calor ou sem doçura, então faria
De minh'alma nada mais  que escombros puramente.
Adeus, Milena, até nunca, nunca mais.
Até nunca mais, Milena, adeus.

2008

Revisto e modificado (todo o poema) em 2012

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